Mercado imobiliário de Curitiba segue aquecido e movimenta R$ 7,5 bilhões ao ano
Analistas destacam alta demanda que impulsiona crescimento do setor, com valorização do metro quadrado e otimismo de empresários
Torre Panorâmica - Foto: Michel Willian/SMCS (arquivo)
O setor imobiliário de Curitiba continua em crescimento acelerado, com movimento de R$7,5 bilhões anualmente. Em 2024, o número de alvarás liberados aumentou 35% em relação a 2023, totalizando 9.265 liberações, equivalentes a 905 mil m² de área para construção. No mesmo período, o volume de unidades novas vendidas cresceu 37%. Já o preço do metro quadrado da construção teve um reajuste de 10%, chegando a R$13 mil, um percentual acima dos índices inflacionários.
O consultor e analista do mercado imobiliário Daniel Claudino destaca que Curitiba tem passado por transformações significativas, tornando-se um polo atrativo para profissionais e empreendedores. “O número de empregos formais cresceu 175% em relação a 2023, e a cidade vem se consolidando como um centro de inovação por meio do movimento Vale do Pinhão”, afirma.
Ele também destaca grandes projetos, como o Parc Autódromo e o Parque Barugui (Reserva), que contribuíram para Curitiba se tornar um dos maiores campos de obra da América Latina, com mais de R$1 bilhão de Valor Geral de Vendas (VGV). No litoral do Paraná, o mercado imobiliário de alto padrão também se aqueceu, elevando em 20% o valor do metro quadrado nos últimos 12 meses, segundo a Isket Inteligência Imobiliária.
O crescimento reflete-se na valorização de diversos bairros curitibanos, com preços do metro quadrado acima de R$ 10 mil:
Batel: R$ 15.551/m²
Bigorrilho: R$ 12.808/m²
Juvevê: R$ 11.297/m²
Cabral: R$ 11.186/m²
O levantamento da Brain sobre perspectivas para 2025 reforça o otimismo do setor. Entre os empresários entrevistados, 35% acreditam que o desempenho das empresas será "muito melhor", 43% esperam que seja "pouco melhor", enquanto apenas 4% preveem um cenário "pouco pior". No que diz respeito ao volume de lançamentos, 77% das empresas indicam que os projetos serão iguais ou superiores a 2024.
Para o especialista em mercado imobiliário Heitor Kuser, o aumento dos custos e das taxas de juros pode impactar o perfil dos investidores. “A valorização do metro quadrado e a previsão da taxa Selic em 15% até o fim do ano podem fazer com que investidores mais especulativos mantenham seu capital aplicado em investimentos financeiros seguros, enquanto os patrimonialistas seguirão comprando imóveis”, analisa. Ele também alerta para o impacto da oferta reduzida na alta dos preços: “A falta de moradias é um problema crítico. Com menos imóveis disponíveis e alta procura, a tendência é um aumento nos valores praticados”.
Apesar do otimismo, o setor também enfrenta desafios. De acordo com a pesquisa, as maiores preocupações dos loteadores e incorporadoras para 2025 são:
Incertezas políticas e econômicas: loteadores (70%), incorporadoras (78%);
Obtenção de licenças e aprovações: loteadores (64%), incorporadoras (26%);
Aumento nos custos de produção: loteadores (50%), incorporadoras (54%).
Mesmo diante desses desafios, os indicadores demonstram um cenário favorável para o mercado imobiliário curitibano, impulsionado pelo crescimento econômico, investimentos estruturais e alta demanda por imóveis na região.
Daniel Claudino - Escritor, analista e especialista do mercado imobiliário.